Esteatose hepática (gordura no fígado): CID, graus, causas, tratamento e risco de fibrose
Esteatose hepática é o acúmulo de gordura em mais de 5% das células do fígado. Hoje se chama doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), antes NAFLD. O CID-10 é K76.0 e não muda com o grau (1, 2 ou 3). Em geral não dá sintomas e é reversível com perda de peso, dieta e exercício. O que define o risco não é o grau no ultrassom, e sim a fibrose, que se estima com o FIB-4 e confirma com elastografia.
O que é esteatose hepática?
É o acúmulo de gordura dentro das células do fígado (hepatócitos), definido por mais de 5% de gordura no tecido. Em 2023, as sociedades de hepatologia passaram a chamar a forma ligada à obesidade, ao diabetes e à resistência à insulina de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD); a forma com inflamação e lesão é a esteato-hepatite (MASH). Os nomes antigos eram NAFLD e NASH.
Estima-se que cerca de 30% dos adultos no mundo tenham o quadro. Na maioria, é achado em ultrassom ou em exame de sangue com transaminases levemente altas.
Qual o CID da esteatose hepática?
| Condição | CID-10 |
|---|---|
| Esteatose hepática (fígado gorduroso) não alcoólica | K76.0 |
| Esteatose hepática alcoólica | K70.0 |
| Esteato-hepatite não alcoólica (EHNA / MASH) | K75.8 |
| Fibrose hepática e cirrose (de qualquer causa não alcoólica) | K74 |
O CID não muda com o grau: esteatose leve, moderada ou acentuada (graus 1, 2 e 3) usam o mesmo código. Para o laudo e o atestado, vale o diagnóstico feito pelo médico assistente.
Quais são os graus da esteatose hepática?
| Grau | Ultrassom | Biópsia | Elastografia (CAP, dB/m)* |
|---|---|---|---|
| 1 (leve) | Aumento discreto do brilho do fígado | S1: 5 a 33% | ≥ ~248 |
| 2 (moderada) | Aumento evidente; vasos menos nítidos | S2: 34 a 66% | ≥ ~268 |
| 3 (acentuada) | Brilho intenso, atenuação do som, diafragma pouco visível | S3: > 66% | ≥ ~280 |
* Pontos de corte aproximados de metanálises; variam com o aparelho. O ultrassom só detecta a esteatose quando há mais de cerca de 20% de gordura e não mede a fibrose.
Quais são as causas e os fatores de risco?
- Disfunção metabólica: excesso de peso (sobretudo gordura abdominal), diabetes tipo 2, resistência à insulina, triglicerídeos altos, hipertensão e síndrome metabólica.
- Álcool: consumo excessivo causa a esteatose alcoólica; mesmo consumo moderado agrava a forma metabólica.
- Medicamentos: amiodarona, metotrexato, tamoxifeno, corticoides e outros.
- Outras: perda rápida de peso, nutrição parenteral, hepatite C, genética (variante PNPLA3), apneia do sono, síndrome do ovário policístico e a rara esteatose aguda da gravidez.
Quais são os sintomas?
Na maioria das pessoas, nenhum. Pode haver cansaço, desconforto no lado direito superior da barriga e fígado aumentado ao exame. Sintomas como icterícia, barriga d'água (ascite), inchaço das pernas, sangramento digestivo e confusão mental sugerem doença avançada (cirrose) e exigem avaliação urgente.
Esteatose hepática pode matar? O papel da fibrose
A esteatose simples raramente leva à morte. O problema é a parcela que desenvolve esteato-hepatite com fibrose: com o tempo, pode evoluir para cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado. Além disso, quem tem esteatose metabólica tem mais risco de infarto e AVC, que são a principal causa de morte nesse grupo.
Por isso, o grau de esteatose no ultrassom não indica a gravidade. O que importa é a fibrose, que se estima por exames simples e se confirma por elastografia.
Como avaliar o risco de fibrose? FIB-4 e elastografia
| FIB-4 | Risco de fibrose avançada | Próximo passo |
|---|---|---|
| < 1,3 (< 2,0 se ≥ 65 anos) | Baixo | Controlar fatores de risco e repetir a cada 1 a 3 anos |
| 1,3 a 2,67 | Indeterminado | Elastografia hepática (FibroScan) ou marcador como ELF |
| > 2,67 | Alto | Encaminhar ao hepatologista; elastografia e rastreio de cirrose |
Calcule o seu índice na calculadora FIB-4, APRI e NAFLD Fibrosis Score. A elastografia (FibroScan) mede a rigidez do fígado em kPa; valores abaixo de cerca de 8 kPa tornam improvável fibrose avançada, e acima de 12 a 15 kPa sugerem cirrose provável.
Qual o tratamento da esteatose hepática?
- Perda de peso: 5% reduz a gordura; 7 a 10% melhora a inflamação; 10% ou mais pode regredir a fibrose.
- Alimentação: padrão mediterrâneo, menos açúcar adicionado, bebidas açucaradas e ultraprocessados.
- Exercício: ao menos 150 minutos por semana de atividade moderada, com benefício mesmo sem perda de peso.
- Álcool: reduzir ao mínimo ou evitar, sobretudo na presença de fibrose.
- Doenças associadas: controle de diabetes, pressão e colesterol; as estatinas são seguras no fígado gorduroso.
- Fármacos: para esteato-hepatite com fibrose moderada a avançada, há terapias aprovadas recentemente nos EUA (resmetirom e semaglutida) e opções como vitamina E e pioglitazona em casos selecionados, sempre com acompanhamento especializado.
Não há chá, suplemento ou “detox” com eficácia comprovada. Informação educativa: a conduta cabe ao seu médico.
O FIB-4 usa idade, AST, ALT e plaquetas e orienta o próximo exame.
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Perguntas frequentes
Qual o CID da esteatose hepática?
O CID-10 da esteatose hepática (fígado gorduroso) é K76.0, “fígado gorduroso não classificado em outra parte”. A esteatose alcoólica é K70.0, e a esteato-hepatite (EHNA/MASH) costuma ser K75.8. Graus 1, 2 e 3 usam o mesmo código; o grau não altera o CID.
O que é esteatose hepática?
É o acúmulo de gordura (triglicerídeos) em mais de 5% dos hepatócitos. A causa mais comum é a disfunção metabólica (obesidade, diabetes, triglicerídeos altos), e a doença se chama MASLD, antes NAFLD. A forma com inflamação e dano celular é a esteato-hepatite (MASH), que pode evoluir para fibrose e cirrose.
Quais os graus da esteatose hepática?
No ultrassom, grau 1 (leve) é aumento discreto da ecogenicidade; grau 2 (moderado), aumento evidente com vasos menos nítidos; grau 3 (acentuado), brilho intenso com atenuação do som e má visualização do diafragma. Na biópsia, S1 é 5 a 33% de células com gordura, S2 34 a 66% e S3 mais de 66%.
Esteatose hepática grau 2 pode matar?
A esteatose isolada raramente causa morte por si. O risco vem da fibrose avançada e da cirrose (que podem evoluir para insuficiência hepática e câncer de fígado) e das doenças cardiovasculares associadas à síndrome metabólica. O grau no ultrassom não prevê isso: a fibrose, sim, e por isso se avalia com FIB-4 e elastografia.
Esteatose hepática tem cura?
Nas fases iniciais é reversível. Perda de 5% do peso reduz a gordura no fígado, 7 a 10% melhora a inflamação e 10% ou mais pode regredir a fibrose. A cirrose estabelecida não regride por completo, mas o controle da causa evita a piora.
Qual o tratamento da esteatose hepática?
Mudança do estilo de vida: perda de peso, dieta mediterrânea, pelo menos 150 minutos de exercício por semana e redução ou abstinência de álcool, além de controlar diabetes, pressão e colesterol. Fármacos específicos existem para a esteato-hepatite com fibrose (como resmetirom e semaglutida, aprovados nos EUA) e dependem de indicação especializada.
O que não pode comer quem tem esteatose hepática?
O ideal é reduzir bebidas açucaradas, refrigerantes, sucos adoçados, ultraprocessados, doces, farinha refinada, frituras e álcool. Alimentos comuns como ovo, banana e café costumam ser permitidos em equilíbrio; o café, em 2 a 3 xícaras por dia, parece até ser protetor. Orientação individual com nutricionista.
Existe remédio ou chá que cure a esteatose hepática?
Não existe remédio milagroso nem chá ou suplemento com eficácia comprovada para curar a esteatose. A base é perda de peso e hábitos saudáveis; a vitamina E e a pioglitazona têm indicações específicas na esteato-hepatite confirmada, sob orientação médica.
O que é o FIB-4 e por que ele importa na esteatose?
O FIB-4 é um cálculo com idade, AST, ALT e plaquetas que estima o risco de fibrose avançada. Valor abaixo de 1,3 indica baixo risco; de 1,3 a 2,67, indeterminado (pedir elastografia); acima de 2,67, alto risco (hepatologista). É o primeiro passo recomendado pelas diretrizes para quem tem esteatose.
Referências
- Rinella ME, et al. A multisociety Delphi consensus statement on new fatty liver disease nomenclature. J Hepatol. 2023;79:1542–1556.
- Rinella ME, et al. AASLD Practice Guidance on the clinical assessment and management of nonalcoholic fatty liver disease. Hepatology. 2023;77:1797–1835.
- EASL–EASD–EASO. Clinical Practice Guidelines on the management of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease (MASLD). J Hepatol. 2024;81:492–542.
- Sterling RK, et al. Development of a simple noninvasive index to predict significant fibrosis in HIV/HCV coinfection (FIB-4). Hepatology. 2006;43:1317–1325.
- Karlas T, et al. Individual patient data meta-analysis of controlled attenuation parameter (CAP) technology. J Hepatol. 2017;66:1022–1030.